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Caminhos Psicotécnicos

16 de novembro de 2010

O filósofo e educador Huberto Rohden ministrava em seus cursos sobre sua “Filosofia Univérsica” aulas teóricas na cidade de São Paulo.

Periodicamente, realizava em seu sítio, em Jundiaí-SP, ”retiros espirituais” de três a quatro dias, onde se praticava períodos de isolamento e meditação silenciosa.

Neste áudio, o professor Rohden, fala um pouco sobre a diferença que existe entre o ocidente e o oriente. Enquanto o primeiro, em sua maioria é extrovertido, o segundo é introvertido. Afirma que para a busca de nosso “centro”, não existe nenhum caminho psicotécnico. Que a “crença” no mundo espiritual, é um ato de boa vontade, já a experiência, é “vivência”. Que ultrapassar a linha divisória, desta fronteira misteriosa, da crença para a experiência, resolveria todos os nossos problemas.

Acreditava Rohden que, se houvesse alguma técnica para isto, o maior dos Mestres, Jesus, o Cristo, teria ensinado a seus discípulos. No entanto, o convite do Mestre é para uma “vivência” segundo o sermão da montanha. Que para muitos, é uma dolorosa e terrível “sofrência”. Porém, necessária para se alcançar uma verdadeira experiência da realidade espiritual, e assim poder dizer: “Eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai”.

Afirma Rohden, que ninguém entra em seu “centro” pela porta dos fundos, ou, de contrabando. O caminho que conduz ao “Reino de Deus” (centro, EU, alma, essência, espírito), é pela porta da frente, é estreito, tem porta apertada, não admite escapismos. Para Rohden, o carpinteiro de Nazaré, possivelmente teve contato com a comunidade dos Essênios. E que antes de iniciar sua vida pública, após um dia de trabalho, fechava sua modesta carpintaria, subia no alto de algum monte da Palestina, contemplava o por do sol e se abismava, durante longas horas, de completo silêncio e meditação, naquilo que em mais de trinta parábolas, descreve como semelhante ao “Reino de Deus” ou “Reino dos Céus”.

Finaliza Rohden afirmando que o homem integral ou cósmico, é uma síntese entre o homem oriental e o homem ocidental. É aquele que trabalha nas “periferias” do seu EGO, sem perder a ligação com seu “centro” Divino (EU). Que pode ser simbolizado pelo algarismo “Um” (1), que valoriza todos os “zeros” (0) colocados a sua direita. O “um” (1) representa a qualidade, os zeros, as quantidades. E este “um” é o símbolo do homem cósmico, do homem integral.

Os “retiros”, para o professor Huberto Rohden, tinham por finalidade, através do isolamento e da meditação silenciosa, alcançar esta “verticalização” com o Pai, conscientizando as palavras do Mestre: “O Reino de Deus está dentro de vós”!

São Paulo, 22 de Outubro de 2010-10-22

Claudio Campos

2 comentários

  • Aden disse:

    Que imensa dificuldade para o ocidental desligar-se do externo e procurar este centro interior…

    Principalmente porque insistimos em procurar os “tesouros” fora de nós…em lugares, pessoas, situações e posses…

    A grande porta…a consciência da presença do Cristo em nós é o ponto de partida para a maior de todas as meditações…

    Abraço

  • Claudio Campos disse:

    Aden, sabe-se que toda “ação” sem “oração” é vazia, assim como, toda “oração” sem “ação” é morta. Penso que Jesus, o Cristo, quando silenciosamente conscientizava a presença do Pai, transformava toda ação em oração!

    Sempre, agradecido por sua participação!

    Abraços!


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